| Resumo |
Introduzindo a antologia, Márcia Abreu nos faz uma apresentação bastante delicada da literatura de cordel no Brasil, revelando-nos as inúmeras transformações do gênero no decorrer do tempo, desde sua origem puramente oral e nordestina, até a impressão dos folhetos em papel colorido, já sem a presença das antigas xilogravuras. Ficamos conhecendo, também, os principais subgêneros do cordel: as pelejas, as histórias de amor e as de luta e os relatos históricos, bem como alguns dos poetas de maior destaque.
O que fica mais evidente, porém, é o fascínio que essa manifestação popular de literatura exerceu em seus leitores, e o quanto ela se constituía como parte inseparável da vida das comunidades de onde provinha.
À medida que percorremos o livro, temos a oportunidade de entrar em contato com alguns folhetos originais de cordel. Descobrimos, primeiramente, os desaforos intermináveis da Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho; uma história de amor em tom de conto-de-fadas moderno, no Romance do Pavão Misterioso; um relato emocionado de um momento histórico que culminou no suicídio de um presidente, em A morte do Presidente Getúlio Vargas; as estripulias e malandragens de um personagem bem conhecido, em As proezas de João Grilo; e, por fim, a descrição fantástica de um país quase ideal, em Viagem a São Saruê.
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