| Resumo |
“O esquizoide” é, ao mesmo tempo, absolutamente ficcional, mas com altas doses autobiográficas. Um misto de diário, romance, novela, depoimento, fábula, que amontoa delírio e lucidez, melancolia e resistência, solidão. Rodrigo revela sua condição para, em seguida, negá-la. O autor compreendeu que, ao apropriar-se dos estigmas que rondam sua existência, pode lidar com seus limites e, ainda, com o preconceito dos ignorantes.
Com propriedade de quem conheceu os meandros da clausura em seus dias contados, Rodrigo mostra neste livro que é reducionista aprisioná-lo numa palavra. O poeta, que canta sua prisão para falar de liberdade, alerta que é melhor o conhecer “pelas atitudes do que pelo cantar esquizofrênico”. Numa narrativa surpreendentemente simples e leve, apesar de todo o peso que carrega, Rodrigo faz um relato consciente ― e até político ― de sua condição de esquizofrênico e de seu papel de escritor. Ele usa a palavra como arma para encarar a própria dor e, por conseqüência, diminuir o sofrimento de seus pares, com uma generosidade que o motivava a se expor por inteiro e desarmado, e lutar pela humanização do tratamento psiquiátrico. |